O Gil encontrou-se com o Noiserv, o projecto do músico David Santos, que esteve no Festival Imaginarius – o Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira, em Maio, com o espectáculo MUTE – um projecto ao qual se juntou o Ballet Contemporâneo do Norte e que contou com a performance de 12 jovens surdos, alunos da Escola de Referência para a Educação Bilingue de Alunos Surdos.

Qual foi a última vez que testemunhaste algo de transcendente?

Acho que isto que viram agora e o que eu tenho visto nos últimos três dias é transcendente. Acho que já é e seria transcendente não se tratando de surdos, sendo surdos e tendo, de uma forma que eu não entendo, um ritmo que é mais certo do que o meu até, é… Nem sei.

Conta-me um sonho teu.

Acho que o meu grande sonho é este; ou seja, não obrigatoriamente este projecto, mas ter a oportunidade de tocar para pessoas, ter a oportunidade de participar em projectos como este, que eu acho que são importantes para a sociedade e para nós que cá vivemos. Quando era pequeno sonhava um dia ser músico, mas isso de ser músico não é só tocar, é um caminho. Mas acho que foi sempre o único que tive e o único que continuo a ter.

Como é o teu imaginário? O mundo dentro da tua cabeça?

Hah… Às vezes é complicado, às vezes é simples… Tento sempre acreditar que é mais bonito porque valorizo as coisas pequenas da vida.

Entrevista por Gil Sousa

Fotografia da Vera Marmelo