Grutera

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

O lado racional é a técnica que tu tens de ter para executar aquilo que sentes. Ambos são importantes na composição e ao vivo. Quando chegas a um nível de técnica muito apurada, torna-se irracional e passas só a jogar com a emoção. É como se a parte racional fosse saber andar, enquanto que a emoção é o destino onde queres chegar.

Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

Devo dizer que sou um excelente dançarino… e portanto gosto da música que se faz em Cuba e no Brasil, mas não é coisa que oiça com exceção de ambientes bastante festivos e alcoolizados.

E aquelas que te conduzem a um estado de espírito imediato?

Gosto muito de música instrumental com apenas um instrumento – guitarra e piano são os meus preferidos. Também gosto do jazz do Coltrane e da malta que faz bandas sonoras como deve de ser.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

Acho que sim, e se for instrumental ainda mais, porque lhe retiras a variável mais palpável – a voz. Penso que torna a audição mais livre de interpretações.

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Tudo o que componho é com base no que sinto. Tudo, como os espaços em que estás, influenciam a composição. A estética das coisas cria-me imensas emoções com potencial para compor.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Seria uma tela transparente, salpicada com várias cores aleatórias. Pelo menos é o efeito que tem em mim.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce?

Eu prefiro sempre o sal.

Entrevista por Ana Isabel Fernandes