Hoje, nos Sentidos da Música, estamos à conversa com o Dj Ride ;-)

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Depende do que queres transmitir e de que forma, no meu caso é raro acordar e fazer música para evocar sentimentos. A maior parte da música que faço parte de ideias ou de inspiração num beat ou numa melodia e começo a construir o resto do ”lego” a partir daí. Ás vezes o sentimento já está implícito num sample ou na melodia principal, por isso o lado racional não atrapalha pelo contrário.

Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

Qualquer coisa desafiante e nova. De beats lentos mas poderosos, a ritmos mais rápidos, de Mr Carmack a EPROM, drum & bass, hip hop, etc.

E aquelas que te conduzem a um estado de espírito imediato?

Geralmente temas com mood/vibe dentro do registo de Arca, Burial, a Kendrick, Hauschka ou Ramzoid.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

Eu acho que a música é cada vez mais visual, devido a forma como ela chega até nós, atualmente, com vídeos cheios de estímulos e em concertos cheios de outras coisas para além da própria música. Mas sem dúvida que tem o poder de fazer click connosco de uma forma muito mais poderosa do que outras formas de expressão artística, a menos que sofras de amusia.

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Sim. Muitas vezes. Já pensei em imagens, em pessoas, em espaços, desde clubs underground escuros a música que gostaria de tocar para multidões, e outras só para mim.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Seria horrível já que sou a pior pessoa do mundo a desenhar e a pintar. Provavelmente iria pedir ajuda ao Vhils.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce?

Agridoce.

Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

Dj Shadow – midnight in a perfect world

Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias?

É um grande veículo. No meu caso isso está sempre a acontecer, quando faço play num tema, estou também a triggar um momento, bom ou mau, agradável ou desagradável. Existem também aqueles sons que estão associados a uma determinada altura da tua vida, ou mesmo a uma pessoa ou um relacionamento que já tiveste, o que acaba até por ser constrangedor em certos casos ouvires determinado som num certo contexto.

Entrevista de Ana Isabel Fernandes