Esta semana, a Ana Isabel Fernandes esteve à conversa com a banda Whales, uma das mais recentes revelações da nova música de Leiria ;-)

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Nós temos duas perspectivas em relação a isso. Por um lado, há música que nos provoca sentimentos e emoções sem ser necessária uma abordagem mais racional em relação a essa música. A música pode tocar-nos pela sua simplicidade. Por outro, claro que há música incrível na qual meter alguns neurónios a funcionar faz todo o sentido e pode até ajudar-nos a evocar esses tais sentimentos.

Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

Qualquer música de Daft Punk, Justice, Weval nos faz mexer.

E aquelas que te conduzem a um estado de espírito imediato?

Depende do estado de espírito. Há músicas para todo o tipo de estado de espírito. As que referimos na pergunta anterior consideramos que são músicas para momentos felizes e energéticos. Depois há músicas para momentos em que estamos com menos energia, mais mal-humorados, menos bem com a vida, etc. Por exemplo, os Sigur Ros que fazem efervescer sentimentos sombrios.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

Completamente. A música é como se fosse o nosso sexto sentido, capaz de comunicar perfeitamente com o nosso subconsciente. Tem a capacidade de se moldar a cada ser humano em milhões de formas diferentes. Se a música fosse algo palpável, as suas formas estavam delineadas e não havia forma de cada pessoa delineá-las da forma que bem entender. Tem que ser livre!!

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Em algo tão concreto pensamos que não. Existem sempre influências quando estamos a compor: sejam situações passadas, situações que imaginamos vir a acontecer no futuro, sons que se vão formando e estruturando na nossa cabeça e a pouco e pouco vão ganhando forma e saindo cá para fora. Existem mil e uma maneiras para se compor que influenciam todo esse processo. Qualquer uma é válida.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Não sabemos até que ponto conseguimos responder a essa pergunta. A música é todo um misto de emoções que variam, cada vez que é ouvida. Mesmo que se oiça a mesma música várias vezes seguidas, cada uma dessas vezes vai despertar algo diferente, por mais pequeno e “insignificante” que seja. Mas se tivermos de responder diríamos que o nosso objetivo é pintar com o máximo de cores possíveis.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce?

Quantos são os momentos especiais na vida de alguém? E para cada momento existe uma música especial, uma “banda sonora”. Acreditamos que para cada uma dessas músicas especiais esteja associado não apenas um sabor, mas um misto deles, assim como acontece com as nossas comidas preferidas.

Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

Cheiro mais importante? Talvez aqueles que nos levam às memórias mais queridas e mais uma vez, para cada memória existe uma “banda sonora” associada.

Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias?

Sim. A música que vamos ouvindo ao longo da vida são os pontos de referencia para determinadas alturas que se calhar se não fosse por ela esquecer-nos-íamos em que altura da vida tinham acontecido, ou mesmo que tinham acontecido.

Entrevista por Ana Isabel Fernandes

Foto por Hugo Domingues