Uma vez por semana uma pessoa da cultura ou mesmo um colaborador do Gerador recomenda coisas para fazer em casa. Um filme, um livro, um disco, uma série, uma conta de Instagram e uma das nossas reportagens que vale a pena reler. Hoje é a vez da nossa Margarida Botelho.

Margarida para uns, Botelho para outros. Faz parte da equipa de produção do Gerador, é também cinéfila de bolso e atriz e cantora quando calha. Já trabalhou em festivais de cinema, telenovelas e Eurovisões. Hiperativa, persistente e teimosa, faz demasiadas coisas diferentes e nenhuma em particular, a sua maior qualidade e a maior maldição. Margarida é um paradoxo, Botelho é antagónica. Quando se encontram é uma desgraça. A sua frase de marca é “Sim, não…”.

UM FILME

As Horas (2002), de Stephen Daldry

O filme de Stephen Daldry é uma intricada narrativa baseada n’As Horas de Michael Cunningham. Este é, por sua vez, um livro sobre um livro, Mrs. Dolloway, o romance escrito por Virginia Woolf em 1925.

É uma história sobre o tempo que há e o tempo que não há, o tempo que é e o tempo que não é, é uma história sobra as memórias, a nostalgia, os sonhos e os universos que se habitam ou que nos fazem reféns. A história de Virginia que escreve Mrs. Dolloway, Laura que lê Mrs. Dolloway e Clarissa que personifica Mrs. Dolloway chega-nos num filme realizado e montado com uma mestria que só poderia ser acompanhada pela brilhante composição minimalista de Philip Glass.

UM LIVRO

The Medium is the massage (1967), Marshall McLuhan e Quentin Fiore

Durante esta quarentena em que o mundo nos chega através de ecrãs o livro de Marshall McLuhan e Quentin Fiore torna-se mais pertinente e necessário que nunca.

Há uma versão deste ensaio em português com o título O meio é a massagem, é da UBU Editora que disponibilizou um excerto do livro ao qual podem aceder aqui.

Deixo o link do LP de 1968, com o mesmo nome, está dividido em Lado A e Lado B. Apesar de totalmente baseado no texto de Marshal McLuhan não é um substituto do livro, como o próprio autor explica na tese que nos traz, é apenas uma interessante interpretação dos seus textos.

UM DISCO

Pela mão de Stereossauro somos levados numa viagem pela música portuguesa do passado, do presente e do futuro. Em Bairro da Ponte a música portuguesa reinventa-se lusófona, numa fusão de estilos e numa parceria de artistas tão distintos, são-nos apresentadas várias facetas da música contemporânea.

Para quem aprecia a música que se reinventa, é urgente conhecer o extraordinário e incontornável trabalho de OMIRI!

UMA SÉRIE

A Espia (2020), de UKBAR Filmes, RTP e Ficción Producciones

A nova aposta da RTP1 é uma co-produção luso-espanhola da UKBAR Filmes, RTP e Ficción Producciones. Realizada por Jorge Paixão da Costa “A Espia” fala-nos sobre uma parte pouco conhecida da História do nosso país, as redes de espionagem e de informadores que habitavam os bastidores da 2ª Guerra Mundial em Portugal.

A série está neste momento a ser transmitida na RTP1 e os primeiros episódios estão disponíveis na RTPPlay.

UMA CONTA DE INSTAGRAM

@everydaycovid

@everydaycovid é um impressionante retrato dos dias que vivemos. Reúne diários da quarentena pelos olhos de vários fotógrafos que nos deixam registos tão inacreditáveis quanto avassaladores. Um arquivo fotojornalístico que vale a pena conhecer.

UMA REPORTAGEM DO GERADOR QUE VALE A PENA RELER

"Acesso à cultura: no (sub)mundo onde as cores têm texturas e os detalhes escapam por entre as mãos", de Carolina Franco e Ricardo Ramos Gonçalves

A reportagem de Carolina Franco e Ricardo Gonçalves faz-nos repensar a acessibilidade na Cultura. Quando fazemos cultura para todos, será que fazemos mesmo? Uma importante reflexão num momento em que é a cultura que nos dá alento. Mas não a todos, só a alguns.

Voltamos para a semana com mais sugestões fresquinhas!

Fotografia de Diana Mendes
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