Uma vez por semana uma pessoa da cultura ou mesmo um colaborador do Gerador recomenda coisas para fazer em casa. Um filme, um livro, um disco, uma série, uma conta de Instagram, um espetáculo e uma das nossas reportagens que vale a pena reler. Hoje é a vez da nossa Rita Dias.

Nascida em Coimbra em 1989, é cantora, compositora e atriz. Após viver um ano no Rio de Janeiro, Brasil, em 2013 lançou o seu primeiro disco, “com os pés na terra”, onde contou com a participação de Paulo de Carvalho, Celina da Piedade e Tiago Curado de Almeida. Em 2016, gravou um EP de músicas infantis, “Gosto de ti, assim!”, que nasceu do convite para fazer a banda sonora de uma peça de teatro com o mesmo nome. No mesmo ano, editou a canção “Se bem me lembro” numa parceria com a RTP Memória, que fez da canção o hino do canal. Em 2018, participou no Festival da Canção, com a canção “Com gosto amigo”. Desde que lançou o seu primeiro disco, já deu concertos em Portugal e fora (Rio de Janeiro), já participou em programas de televisão nacionais e brasileiros (com o apresentador Roberto Hilbert) e já deu entrevistas na imprensa nacional e estrangeira (a mais recente, na Índia).

Para além da experiência musical, Rita Dias começou a fazer teatro em 2016. Fez três formações em Portugal: duas com o ator João Reis e a atriz Lígia Roque; uma com a atriz Margarida Cardeal. Fez uma formação no Rio de Janeiro, Brasil, no teatro O Tablado, com os atores Pedro Kosovski e Marco André Nunes. Já se apresentou ao vivo em Portugal e no Brasil. No final de 2019, começou também a  escrever para o Gerador, integrando a equipa editorial.

Fica com as sugestões da Rita, aqui:

UM FILME

12 anos escravo, de Steve McQueen

Lançado em 2013, é um filme histórico e biográfico, realizado por Steve McQueen, que adaptou a autobiografia homónima de Solomon Northup de 1853, um negro livre nascido no Estado de Nova Iorque que foi sequestrado em Washington, D.C. para ser vendido como escravo. Arrecadou três óscares em 2014 e arrecadou de mim o momento mais forte que alguma vez senti no cinema: sair da sala com vontade de vomitar com o tamanho da dor que partilhava com a história e com a História. Temos as costas carregadas de exemplos como o de Solomon Northup. Ser antirracista não chega; é preciso mostrar, fazer, gritar, sair para a rua, levantar a peneira, denunciar, sem que a morte nos separe.

UM LIVRO

As Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés

É um livro da psicóloga Clarissa Pinkola Estés, que faz uma viagem profundíssima sobre o que é ser-se mulher, afastado do conhecimento modernizado e cosmopolita da mulher ocidental. Remete para a ancestralidade, para as tradições orais, para a ligação com a Natureza, para a importância da compreensão de mitos e de lendas. Foi determinante na minha forma de me encarar a mim e a todas as mulheres.

UM DISCO

Musas, de Natalia Lafourcade

O título completo é Musas (Un Homenaje al Folclore Latinoamericano en Manos de Los Macorinos) e é um projeto da cantora e compositora mexicana Natalia Lafourcade em colaboração com o duo Los Macorinos, que conta com dois volumes e que faz uma homenagem extraordinária ao cancioneiro tradicional latinoamericano. Tem a participação da Omara Portuondo. Perdi as vezes de quantas vezes o ouvi.

UMA SÉRIE

Coisa Mais Linda, com direção de Caíto Ortiz

É uma série brasileira que aborda a ascensão da bossa nova e o empoderamento feminino em 1959, sendo o título inspirado num verso da canção Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Foi exibida em 2019 na Netflix e permitiu-me matar saudades do Brasil, do Rio de Janeiro em particular, sem sair de Portugal.

UMA CONTA DE INSTAGRAM

@animalsdoingthings

Não sou a pessoa mais dedicada às redes sociais. Uso-a por motivos profissionais e, mesmo assim, uso pouco. Mas sempre que passo os olhos pelo Instagram, não resisto a rir à gargalhada com as maravilhas que os animais nos dirigem e que nós somos capazes de captar.

UM ESPETÁCULO

Do Indizível, com direção artística de Marta Lapa

É uma cocriação da encenadora e coreógrafa Marta Lapa, da atriz Carla Galvão e do contrabaixista Carlos Bica, que vi na Escola de Mulheres algures em 2016. Foi dos momentos mais arrebatadores que tive com o silêncio, porque era uma peça feita sem qualquer palavra, apenas com a interpretação incrível da Carla Galvão e da música pontual do Carlos Bica. Adoraria ver a peça de novo.

UMA REPORTAGEM DO GERADOR QUE VALE A PENA RELER

Em cenário de pandemia, as fragilidades da cultura ficam a descoberto”, de Andreia Monteiro, Carolina Franco, Raquel Botelho Rodrigues e Ricardo Ramos Gonçalves

Quis escolher uma peça onde estivessem os meus amigos-colegas atuais da Equipa Editorial. E esta reportagem, tendo em conta a ansiedade geral em que o setor cultural se instalou desde o início da COVID-19, onde nós nos incluíamos também, foi um exercício de altruísmo muito grande. E a Andreia, a Carolina, a Raquel e o Ricardo pararam as suas angústias para colocarem “a descoberto” angústias de maiores dimensões. Ainda hoje, agradeço.

Fotografia de Isac Pinto
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