Um Dia Feliz (Plagiando David Mourão-Ferreira)

Procura-se afanosamente um dia que nos encha as medidas, que nos tire a cabeça de outras coisas, que nos faça agradecer aos deuses o termos nascido e estarmos ainda vivos e a mexer.

Ultimamente  –  e fruto do acaso ou dos tempos presentes – tenho tido bons episódios ao longo de um dia, mas intervalados por outros menos bons. E infelizmente parece que a sombra destes últimos acaba por ultrapassar a claridade dos outros. Porventura por estarmos no Inverno, o que também não ajuda nada.

Vai daí pus-me a fantasiar: O que seria para mim o dia ideal?

Ora tomem lá disto:
“Acordar ao lado de alguém que se ama e que corresponde, olhar para o relógio e verificar que estamos atrasados para o emprego, mas depois cairmos em nós e lembrarmo-nos que se trata de um  Sábado. Nestas reviravoltas começar a ver a parceira do lado com  olhos de carneiro mal morto  e uma coisa levar à outra, sem desculpas nem resmungos de “deixa-me dormir maluco!”

Irmos ao mercado juntos abastecer a despensa e o frigorífico (ficou-me esta pancada do tempo do meu Pai e Avô, que iam sempre à Praça aos Sábados), regressar a casa a tempo de pôr a assadeira com um Pargo legítimo no forno. No frio já aguardam duas garrafas de  Redoma branco Reserva (seja de que ano for).

Almoçar principescamente. Ajudar a arrumar o estrago e vai de deitar outra vez aqueles olhares à legítima para bem acomodar  a sesta a dois, enquanto que a entidade filial parte para outra com o grupo de amigos…

Lá para as cinco da tarde tomar banho e preparar a noite. Sair pelas sete, cocktails no Albatroz, Jantar no Beira-Mar com uma roda de bons Amigos: Lavagante à Armoricana e as últimas Galinholas da temporada passada, terminando com charutos cubanos e Lagavullin, em conversa admirável.

Disse-lhes que era início de Verão, a noite era esplendorosa  e que estávamos na esplanada?

Bem podem refilar que quando comecei com a crónica era Inverno e que agora já estamos no Verão. A história é minha e o dia feliz é a minha maneira.
Adiante que não estamos em Amarante!

Uma caminhada até ao Tamariz, um pé de dança na discoteca de Verão (sem abusos).

Regresso a casa pelas 3 da manhã e embora os olhos peçam, a barriga  já não tem “rancor” para mais aventuras entre lençóis.
E o C***** do descendente ainda não chegou a casa. Deve vir bonito…
Pouco importa.

Amanhã é Domingo e o Cabrito já ficou temperado…

Manuel Luar