Na antecipação do resultado está muitas vezes o sucesso da experiência gastronómica.

Quem convida a “querida” para jantar espera uma coisa. Quem marca uma faina com bons amigos, espera outra. Se a “querida” for há muitos anos nossa companheira, o assunto trata-se de certa maneira. Se a referida “querida” estiver ainda na fase de projecto, a conversa é diferente.

A escolha do restaurante tem de ter em conta todas estas variáveis e situações. Por isso darei aqui um exemplo para um restaurante adequado quando estamos em época de “enamoramento”.

O enamoramento, “estado nascente de um movimento colectivo a dois” como lhe chama Francesco Alberoni, é um dos momentos mais belos da vida.

Restaurante para levar a namorada tem de ter o quê? À primeira vista imaginaríamos um horizonte de mar a perder de vista, violinos na rectaguarda, serviço formal, pratos Limoges, talheres Cristofle e ementa francesa. Tudo isto com preço a condizer e que daria para a entrada do futuro apartamento.

Nada mais errado.

Um restaurante de carácter mais intimista, sem janelas ou com pouca paisagem, dará sempre para usar a frase (muito antiga e mais que testada) : “ Vista para quê se tenho à minha frente a vista mais bonita do mundo?”

O restaurante do “enamoramento” deve ser um local onde nos conheçam. A nós, não à visada. Ao tratarmos os empregados pelo nome e ao sermos recebidos calorosamente à entrada passamos uma imagem de maturidade e de equilíbrio emocional.

Ao escolher o que se come e o que se bebe – e acautelada em primeiro lugar a lei da carteira – ter em atenção a lei da sobriedade. Porquê a sobriedade numa ocasião destas? Porque temos de estar sempre preparados para o futuro próximo. Para as horas seguintes. Encher a barriga e carregar a boca de sabores fortes terá lugar na nossa vida, mas apenas alguns anos depois (se tivermos sorte).

É terrível beijar com resquícios de alho e cebola no hálito oposto. Para já não falar do bafo-de-onça que o abuso de álcool transmite.

Pediremos sempre a opinião de quem nos acompanha, aconselharemos dentro daquilo que afirmaram gostar e devemos escolher matéria-prima de qualidade mas de confecção simples, pouco trabalhada na cozinha.

Um copo alto e fino (flute) de espumante é sempre bem vindo para começar. Depois escolham vinho tinto ou branco de acordo com o que vão comer e fiquem por aí.

A cerveja é relegada nestas ocasiões para as profundezas da fossa do Mindanau.

Um lugar terrivelmente romântico e onde é possível reunir estas características é o Restaurante Jockey, na Sociedade Hípica Portuguesa, ao Campo Grande.

Tem um acolhimento magnífico, profissionais sabedores e amáveis. E ainda por cima tem lugares mais que suficientes para estacionar.

No capítulo da gastronomia existem pratos do dia a tentar os clientes mais “pesados”, mas também apresenta sempre peixe fresco (de captura) e carnes de origem protegida para grelhar.

O cliente escolhe, o gerente pergunta como quer e com que acompanhamentos. É perfeitamente possível comer muito bem sem empanturrar (que é o que se pretende).

Nas noites mais quentes a sua esplanada abre-se para o campo de saltos de obstáculos que lhe fica anexo e temos quase a noção de estarmos na província sem sairmos do centro de Lisboa. Quando chove, o perfume da terra e da erva molhada é envolvente e extremamente agradável.

Por aproximadamente 90 euros (investimento, amigos! É investimento!) o casal de enamorados pode desfrutar dos “flutes” de bom espumante, de uma garrafa de Alvarinho selecionada, depenicar das entradas da casa, saborear dois linguados de bom tamanho grelhados e rematar com sobremesa e cafés.

O ambiente é muito bom. Gente ligada ao desporto hípico mas não só. Alguns políticos e presidentes de clubes de futebol (hélas…). Ao almoço sente-se mais a atmosfera empresarial, mas aos jantares estamos no domínio da melhor fantasia, e com cavalos ali perto! Alguns até serão brancos.

Se a coisa falhar, é porque não estava escrito nas estrelas…

Podem saber mais aqui

Manuel Luar

18 de Setembro de 2015