Uma vez por semana uma pessoa da cultura ou mesmo um colaborador do Gerador recomenda coisas para fazer em casa. Um filme, um livro, um disco, uma série, uma conta de Instagram e uma das nossas reportagens que vale a pena reler. Hoje é a vez da nossa Andreia Monteiro.

A Andreia é a diretora editorial do Gerador. Juntou-se a esta equipa em meados de 2017 e, por mais planos que a afastassem por curtos períodos do Gerador, foi esta a casa a que sempre quis voltar. Juntou-se à direção em maio de 2019 e, acompanhada por uma equipa de que muito se orgulha, arregaçou as mangas para melhor conhecer e dar a ver, pela lente do rigor jornalístico, aquilo que nos une – a nossa cultura.

Fica com as sugestões da Andreia, aqui:

UM FILME

José e Pilar (2010), de Miguel Gonçalves Mendes

Talvez tenha sido o primeiro documentário que prendeu a minha atenção do início ao fim e me fez ter vontade de melhor conhecer este subgénero do cinema. Depois, há também a curiosidade de retratar uma face da história do meu escritor favorito, José Saramago, com o seu grande amor, Pilar del Río. Tal como ouvi Jorge Vaz de Carvalho proferir numa conferência na Fundação José Saramago, “isto é o que acontece aos grandes amores: nunca se perdem. E exemplo disso é o amor de Saramago e Pilar.”

UM LIVRO

Ulisses (1922), de James Joyce

Foi um livro com que me cruzei na universidade na cadeira de Escrita Criativa. Confesso que ainda não o li. Privei com alguns excertos e o resultado foi duplo: mudou a minha forma de entender a escrita, tornando-me numa leitora e “escritora” mais consciente, ao mesmo tempo que, por vezes, me deixava a tremer com a forma como é narrada a história. Escolhi este livro para integrar a minha lista de sugestões residentes, porque vejo, nesta quarentena, reunidas as condições necessárias para me entregar a uma leitura comprometida desta obra. Vai ser desta!

*Aconselho a tradução premiada de Jorge Vaz de Carvalho, pela Relógio D’Água

UM DISCO

Árvore (2019), de André Rosinha

O André é um contrabaixista, cujo trabalho conheci em finais de 2017. No dia 6 de janeiro de 2018, fui ao lançamento do seu primeiro disco, Pórtico, no Hot Clube de Portugal, a primeira vez em que ouvi as suas composições. Foi um dos dias em que em mim se inscreveu uma sensação de mudança irreversível. Ouvi-lo trouxe-me uma nova perceção da música, uma maior capacidade de a ouvir atentamente e uma paixão avassaladora pelo jazz. Árvore é o seu segundo disco de originais e são 51 minutos e 30 segundos que me emocionam profundamente, me levam numa viagem ao mais íntimo do meu ser e me inundam de felicidade. Ainda não houve uma vez em que isto não me acontecesse ao ouvi-lo.

UMA SÉRIE

SaraO Fim de Uma Carreira (2017), de Marco Martins, a partir de uma ideia original de Bruno Nogueira – RTP

Uma série cujos episódios vi de seguida no meu computador, através da RTP PLAY. Uma criação de autores portugueses com uma história tão hilariante quanto reflexiva acerca do meio audiovisual português. Reúne um elenco que admiro e que me deu a conhecer o trabalho da atriz Beatriz Batarda, deixando-me completamente envergonhada por não me ter cruzado com o seu trabalho antes!

UMA CONTA DE INSTAGRAM

@herchive.project

Mais do que uma conta de Instagram, é um projeto que merece a nossa atenção. O Herquive é um arquivo visual de artistas mulheres e pessoas não binárias na história das artes, criado por um coletivo de artistas portuguesas. Não só vemos o nosso mural colorido por obras de arte incríveis, como podemos demorar o nosso olhar e ficar a conhecer estas personalidades ilustradas ao ler a descrição dos posts, em que encontramos a sua biografia. Uma ótima forma de alargar horizontes e dilatar o nosso conhecimento.

UMA REPORTAGEM DO GERADOR QUE VALE A PENA RELER

“Palhaças: O Elogio da Imperfeição”, da Raquel Botelho Rodrigues e com belos retratos do David Cachopo

Uma reportagem muito completa sobre um tema com que ainda não me tinha cruzado – as mulheres palhaço. É um daqueles textos em que, finda a leitura, já somos outra pessoa. Uma pessoa melhor, mais consciente, atenta e desperta para “ver, ouvir e tocar o mundo”. Obrigada, Raquel, por mais um trabalho notável.

Voltamos para a semana com mais sugestões fresquinhas!

Fotografia de Joana Ferreira
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