Uma vez por semana uma pessoa da cultura ou mesmo um colaborador do Gerador recomenda coisas para fazer em casa. Um filme, um livro, um disco, uma série, uma conta de Instagram, um espetáculo e uma das nossas reportagens que vale a pena reler. Hoje é a vez da nossa Joana Guerreiro Gregório.

Alentejana de gema, completamente apaixonada pela vida e paisagens do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, veio malas e bagagens para a capital em 2014. Determinada em ingressar na área da comunicação, foi parar à Escola Superior de Comunicação Social onde completou a licenciatura em Audiovisual e Multimédia em 2017. E porque estar sossegada nunca foi opção, em paralelo com os estudo envolveu-se em áreas tão diferentes como: investigação na área da sustentabilidade; restauração; produção de conteúdos multimédia; fotografia de paisagem e mais recentemente criatividade na gestão. Depois uma breve mas interessante passagem pela RTP, dois anos a trabalhar intensamente no conceito do Museu da Paisagem, pelo meio uma experiência enriquecedora no serviço educativo do Media Lab do Diário de Notícias veio parar ao Departamento de Comunicação do Gerador.

Fica com as sugestões da Joana, aqui:

UM FILME

O documentário: ANTHROPOCENE: THE HUMAN EPOCH

Nesta fase, em que tudo e todos abrandamos o ritmo, pode ser a altura certa para repensar a pegada e o papel de cada um no planeta.

O conceito de “antropoceno” é um assunto urgente, que merece ser explorado. A natureza humana e a relação do Homem com a natureza está na base de alterações geológicas irreversíveis como as alterações climáticas, a perda da biodiversidade e a degradação do solo.

Neste documentário, que parte da pesquisa de um corpo internacional de cientistas tomamos consciência da era em que vivemos, fase esta marcada por profundas e duradouras mudanças na Terra. Depois destes 87 minutos de filme ficamos a olhar de maneira diferente para o paradoxo que envolve a natureza humana: ao mesmo tempo que  inventamos novos materiais e transformamos os lugares que habitamos, essa artificialidade também nos ameaça.

Lá está: Nós transformamos a paisagem mas a verdade é que todas as paisagens importam e – mais tarde ou mais cedo – inevitavelmente iremos sofrer com forma como habitamos este planeta.

UM LIVRO

O Que Há Neste Lugar? – Guia de exploração da paisagem, textos de Maria Manuel Pedrosa e ilustrações de Joana Estrela

Porque este livro relembra-nos que a paisagem “é um fio infinito que se estende na natureza, um elemento ligando-se ao outro, uma paisagem entrando noutra. E nós somos parte deste fio.” Só depois de olhar para todas as camadas da paisagem é que saberemos o que há neste lugar. Este é um guia que nos desafia a ler o que está à nossa volta, a dar valor aos detalhes, a usar todos os sentidos, e sobretudo a olhar para o invisível.

UM DISCO

O Monstro Precisa de Amigos, Ornatos Violeta

Simplesmente porque sim. Esta escolha não tem grande justificação possível, há coisas que se sentem e pronto. Esta é a banda sonora para todos os momentos.

UMA SÉRIE

É P’ra Amanhã

Depois de uma longa fase de mapeamento de projetos e iniciativas ligados à sustentabilidade em Portugal, 6 jovens escolheram arregaçar as mangas e percorreram o país de lés a lés para visitar e filmar pessoas que têm algo de valor para dizer. Ao longo de cinco episódios vão sendo apresentados cidadãos particulares, empresas, cooperativas e municípios que procuram no seu dia-a-dia tornar a nossa sociedade mais sustentável. Aqui fala-se sobre temas tão vastos quanto: alimentação, energia e mobilidade, mas porque a discussão deve ir ainda mais longe reflete-se também sobre economia, política e educação.

UMA CONTA DE INSTAGRAM

@omg_triplets

Porque a alegria é a coisa mais séria da vida e esta família vive no ritmo certo. E claro, aqui a minha opinião é muito suspeita mas ….. ter o  Alentejo como pano de fundo é mesmo o melhor lugar para se crescer!!
Este perfil coleciona momentos felizes, aprendizagens e retrata o que é a uma vida com irmãos por perto.

UM ESPETÁCULO

Varekai “Cirque du soleil”

Porque o espetáculo é absolutamente encantador e transporta-nos para lá da realidade, para outro universo onde tudo é possível e o equilíbrio existe. Mesmo sentada na cadeira senti-me transportada para aquela floresta, embrenhada no meio de todas aquelas criaturas que vivem em perfeita harmonia.

UMA REPORTAGEM DO GERADOR QUE VALE A PENA RELER

“O silêncio não é um modo/ de repouso ou suspensão/ mas de resistência”, de Raquel Botelho Rodrigues (Gargantas Soltas)

Comecei a fazer parte dos “residentes do Gerador” justamente na altura em que muita coisa mudou em Portugal. A minha aventura aqui começou já em teletrabalho e com o assunto da pandemia na ordem do dia. Entrei numa altura em que o Gerador se reinventou a cada dia e começou a dar ainda mais destaque e conteúdos que valorizam opiniões sinceras e variadas.

Por isso mesmo a minha recomendação é para esta crónica que espelha a opinião da nossa jornalista Raquel Botelho Rodrigues.

Gosto sobretudo da forma como é descrita esta nova vida que levamos: por um lado mais lenta e recatada mas por outro lado muito mais intensa em termos de ruído e urgência em ultrapassar as adversidades.

A destacar, só quero deixar algumas frases soltas que abrem o apetite para ler a crónica na íntegra:

 “Atravessamos um excesso de imagens e de conteúdos, que, muitos, não têm conteúdo nenhum. É o tempo do ruído e o perigo é deixar de o ouvir. Passámos a dizer “produzir” em vez de “criar”.”

“Tudo é sempre para ontem. Estamos sempre em dívida. As prioridades são-nos trocadas e temos de ceder para sobreviver. Tantos encontros adiados… Tantos desejos na gaveta.”

“Não é uma prisão estarmos sempre acessíveis? Não é quase uma ordem ter um telefone cheio de aplicações, um bom computador, …, …, …, para existirmos, fazermos parte, considerarmo-nos uma comunidade, uma rede? Mas, no meio de tudo isto, que parece ser tudo, será que damos o que lançamos? Será que acolhemos o que nos chega? Podemos falar de dádiva? Onde estamos quando recebemos?”

“O consumo. O consumo. O consumo. O consumo. O consumo de objectos, de experiências, de pessoas. E chamamos isto de liberdade.”

Voltamos para a semana com mais sugestões fresquinhas!

Fotografia da cortesia de Joana Guerreiro Gregório
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