O Ministério da Cultura do XXII Governo Constitucional vai contar com dois secretários de Estado, com Ângela Ferreira a tutelar o Património Cultural e Nuno Artur Silva a ficar com a pasta do Cinema, Audiovisual e Media.

O primeiro-ministro indigitado, António Costa, apresentou hoje ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a equipa governativa para o XXII Governo Constitucional, com Graça Fonseca a manter-se como ministra da Cultura.

Ângela Ferreira também continua como secretária de Estado, sendo agora designada especificamente como Adjunta e do Património Cultural. Nuno Artur Silva ficará como secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

Desde o XVI Governo Constitucional, liderado por Pedro Santana Lopes, que não havia dois secretários de Estado na tutela da Cultura. Na altura, José Amaral Lopes assumiu a secretaria de Estado dos Bens Culturais e Teresa Caeiro a das Artes e Espetáculos.

Nuno Artur Silva, 57 anos, assume um cargo governativo cerca de um ano e meio depois de ter cessado funções como administrador da RTP, onde foi responsável pelo pelouro dos conteúdos entre 2015 e 2018.

Lisboeta, licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, o novo secretário de Estado ficará com a tutela da comunicação social com participação maioritária do Estado, ou seja a RTP e a Lusa – Agência de Notícias de Portugal.

Em maio de 2018, Nuno Artur Silva afirmava, numa audição parlamentar, que é defensor do modelo do Conselho Geral Independente da RTP, porque representou um sinal de independência e apontou que o problema da empresa é o financiamento.

“A RTP cumpriria melhor se houvesse dinheiro para fazer melhor”, afirmou Nuno Artur Silva.

Numa entrevista com a revista Visão, em setembro, questionado sobre o futuro do jornalismo e o seu modelo de negócio, Nuno Artur Silva disse que “se a democracia precisa de jornais, o Estado tem de cobrar uma taxa qualquer para que se paguem projetos jornalísticos, não haverá outra possibilidade”.

Também este ano, ao Observador, Nuno Artur Silva considerou que “o cinema português despreza a televisão porque a considera comercial, e não artística, e a televisão portuguesa considera o cinema português elitista, sem ambição de público”, algo que encara como um “divórcio” que “tem sido trágico para o desenvolvimento de formatos audiovisuais”.

Argumentista, produtor, empresário, Nuno Artur Silva foi cofundador das Produções Fictícias, do canal televisivo Canal Q e do jornal satírico O Inimigo Público, e tem o nome ligado a vários programas de humor, nomeadamente “Herman Enciclopédia”, “Contra informação” e “Os Contemporâneos”.

Apresentou alguns programas de televisão, entre os quais o de debate “Eixo do Mal”.

Em 2014, Nuno Artur Silva dizia, num encontro com jornalistas, que se considerava um “artista de variedades” que já fez quase tudo, isto a propósito de um espetáculo a solo que protagonizou, intitulado “A Sério?”.

Esta faceta de autor de palco deveria ser novamente revelada em novembro próximo, em Lisboa, no espetáculo “Onde é que eu ia?”, adiado ‘sine die’ devido à nomeação para secretário de Estado.

“Onde é que eu ia?” tinha sessões marcadas para os dias 08 e 09 de novembro no Teatro Capitólio.

Nuno Artur Silva também comissariou este ano a programação da Feira do Livro do Porto e o programa “O Fascínio das Histórias”, que no próximo sábado ocupará vários espaços da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com debates, leituras e cinema.

Texto de Lusa
Fotografia de Denise Jans disponível via Unsplash

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