Aquele texto positivo de início de ano, que depois de toda a "merda" que tem acontecido tem um gosto diferente.

Vamos lá, antes de mais, desejo um 2022 cheio de sucesso e alegrias a todos os seres humanos deste planeta. Tal não vai acontecer, mas era o meu desejo.

Um à parte: hoje, no carro a caminho da escola da minha filha, ela perguntou-me se eu pudesse escolher um superpoder qual seria, rapidamente respondi que seria o poder do teletransporte, e fiz-lhe a mesma pergunta, pensando que iria dizer algo como voar, cuspir fogo ou ser invisível, mas não. A Ária o que quer é felicidade na cara de todos e disse: "Queria o poder de deixar todas as pessoas do planeta felizes". Wow, as crianças são mesmo especiais. A partir de hoje, será esse o meu superpoder de eleição.

Em relação a este ano ser diferente, digo isso porque já começamos a ver algumas melhorias. A variante dominante é menos agressiva, está muito mais gente a ficar infectada, o que vai levar à imunidade de grupo e já há países a levantar todas as restrições que tinham.

O dia da liberdade parece estar a chegar, mas por outro lado, vejo cada vez mais perseguição a ser feita a quem não é vacinado. Eu não sou, e sinto que, quando falo com as pessoas, o dizer "Não sou vacinado" soa a "Sou um serial killer". Há pessoas que não são negacionistas, mas que simplesmente não querem levar a vacina, mas isso são outros quinhentos.

Já vamos a dia 22 de Janeiro e tenho a certeza que muitas promessas já ficaram para trás. Quem disse que não ia fumar, já teve um stress e já deu uns bafinhos. quem não ia beber mais, já limpou umas duas ou três garrafas. Não interessa, a intenção está lá, mas temos que ter mais força de vontade para estas mudanças de fim e início de ano.

A força que a maioria de nós tem no fim de cada ano, para muitos, parece que fica no passado com o ano e não transita para o novo ano. São milhares os posts nas redes sociais e estão todos com a vibe de "novo ano, novo eu", mas esse "novo eu" muitas vezes nunca aparece.

Há que ter mais força de vontade e realmente fazer as coisas e pensar que o tempo está a passar e tempo é a única coisa que não podemos recuperar.

Ultimamente tenho estado mais presente no meu bairro em Chelas, o que tem feito com que o contacto com a comunidade seja diário. Todos os dias há alguém a contar-me uma história ou a solicitar ajuda para a resolução de um problema, o que tem feito com que o sentimento de comunidade cada vez seja maior em mim. Pensar que é de nós para nós, ajudar o próximo - podemos sempre ajudar alguém -, não tenho qualquer dúvida disso.

Andamos tão focados nas nossas batalhas individuais e sucessos que esquecemos que há sempre alguém em situação pior que a nossa, por isso gostaria de aconselhar todos a terem uma maior atenção com o vizinho do lado ou aquele amigo que parece estar mais em baixo ou desmotivado.

Vamos deixar para trás 2020, 2021 e esperar um 2022 não perfeito, mas melhor. Para isso acontecer é só não ouvirmos mais a palavra covid e isso vai acontecer, eu sei que sim.

Votos de um grande ano para todos, e foco, muito foco naquilo que queremos alcançar. E energia positiva.

Atenção: daqui a uns 15 dias não se esqueçam de escrever KRIATIVU no Instagram e vejam o meu novo projeto.

Obrigado.

-Sobre Nuno Varela-

Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas. Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.

Texto de Nuno Varela
Fotografia de Pedro Vaccaro
A opinião expressa pelos cronistas é apenas da sua própria responsabilidade.
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